Os muros delimitantes entre as áreas e os pensamentos desmantelam-se cada vez mais. Sem toda aquela autonomia duramente conquistada, o campo da arte se figura como colagem (não mais aquela colagem que questionou a espacialidade modernista), mas uma colagem cognitiva, uma fragmentação constituída pela heterogeneidade de saberes que marcam os dias de hoje. Junto com a contaminação das esferas do conhecimento, alterou-se também suas estratégias e mecanismos. O fluxo da constante readequação tornou-se movimento de subsistência (ou de sobrevivência), seja na busca pela atualização conceitual, seja na interrogação existencial e pragmática. Manter qualquer esforço ou iniciativa de prática artística nos exige adaptação e, assim, buscamos por estados de existência minimamente contínuos. Mas como subsistir? Como respirar e se manter vivo em tempos de apagamentos de incentivos e desvalorizações absolutas? Como compreender e intervir nas estruturas sistêmicas e nas negociações já dadas e encontrar espaço para a ação? Se o público fundiu com o privado, se a marginalidade institucionalizou-se e se a política pública se despede nos deixando com as forças do mercado, onde residem os interstícios?
Nesta edição, a revista Arte ConTexto buscou reunir ensaios e comentários que evidenciassem essa diluição das esferas do campo artístico, bem como apresentar produções, proposições e reflexões que estejam gerando novas maneiras de existir e de questionar esse sistema.
